quarta-feira, 31 de maio de 2017

Quem sou eu?


A natureza é tão perfeita, que quando engravidamos as coisas logo começam a mudar. O corpo muda, o humor, o sono... e é só o começo. É uma breve preparação para o que está por vir. Mas é só depois que o bebê nasce, que chegamos com ele em casa, que nos damos conta de que agora realmente é "pra valer": somos mães!
A primeira semana passou voando, eram tantos compromissos: teste do pezinho, vacinas, pediatra, registro de nascimento, providenciar papeladas para enviar à empresa que trabalho...ufa! Depois veio a descida do leite e a preocupação com a amamentação, o umbigo(se estava fazendo a higiene corretamente), o cansaço da nova rotina, a fome de quem amamenta e não tem tempo para preparar algo para comer... Intuitivamente, com o passar dos dias, as coisas foram ficando "mais fáceis". Quando me dei conta, o Antônio estava com 3 meses. "Graças à Deus, consegui superar os 3 primeiros meses", era só isso que eu pensava, pois parece tão fácil na teoria, mas quando o filho é nosso a coisa muda de figura. Enfim, de repente meu bebê estava com 3 meses, lindo, forte, saudável, a amamentação já praticamente não doía, estava tudo fluindo... mas e eu?
Meu corpo estava longe de ter voltado "ao normal", minha cabeça estava diferente, minha memória só funcionava para as coisas do Antônio, se perguntassem algo sobre mim era capaz de não saber responder. Eu mergulhei fundo, muito fundo na maternidade, de cabeça. Minha vida, meu mundo era o Antônio... mas e eu? Quem eu era? O que aconteceu que agora não me reconhecia mais? E é isso mesmo que acontece com a maternidade, pelo menos com grande parte das mulheres que se tornam mães. Ao mesmo tempo que me sentia plena e completa ao realizar o sonho de ser mãe, cresceu um outro vazio dentro de mim.
Pra quem não sabe, antes de engravidar, eu trabalhava de manhã como auxiliar administrativa na empresa do meu paidrasto, e de tarde eu fazia as encomendas da minha "Artesanato Do Bem". Eu era muito feliz com meus dois "empregos", pois adoro a parte burocrática do escritório, e medito, mergulho, me entrego quando faço artesanato, é minha paixão. Porém, quando engravidei, eu tinha muito sono, e ainda uma grande lista de encomendas para entregar, então fechei a agenda para dar conta do que já estava programado, sem data para reabrir.
Antônio está com 8 meses e meio, e eu sempre recusando pedidos de encomenda, não sabia como voltar aos artesanatos(ao escritório voltei quando ele completou 6 meses). Eis que, conversando com uma amiga, trocando ideia e dicas sobre artesanato, aquela paixão começou a rebrotar, aquele amor que sinto ao criar cada peça alegrou meu coração... E então, hoje pela manhã, resolvi aceitar um pedido de encomenda novamente. Pedi um prazo bem maior, para ter certeza que vou dar conta, mas cá estou eu me encontrando novamente. A Artesanato Do Bem é a minha essência!
O que eu quero dizer com tudo isso? Quero dizer que essa confusão que sentimos no puerpério, essa "tristeza" de ver a vida dando uns 180º e virando de cabeça para baixo: é normal! Mas, acredite, no tempo certo você vai se reencontrar novamente. É preciso se ajudar, fazer coisas que gosta, se autoanalisar, e aproveitar para mudar aquilo que não estava bom, que pode ser, inclusive, não voltar para o antigo emprego.
Fazem uns 4 meses que comecei a escrever esse post. Já editei e reformulei umas 5 vezes. No auge da minha confusão mental eu tentava me encontrar, mas nem conseguia expressar em palavras.
Agora, posso dizer, que me sinto inteira novamente, completa, com o meu filho amado dormindo aqui do lado, um atelier novo(pois nos mudamos de casa depois que o Antônio nasceu) e uma nova Rafaela, que, prioriza o filho, mas não deixa de ser quem é.
Grata pela atenção. Sejamos felizes :o)

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