domingo, 11 de setembro de 2016

Dica de livro: A maternidade e o encontro com a própria sombra


O título do livro pode intimidar um pouco, mas é isso mesmo. Recomendo muito a leitura para gestantes, mãe e pais que queiram se conhecer um pouco melhor a partir do reflexo que produzem em seus filhos.
Já adianto que nem adianta ler e ficar de mimimi, ou querer sair correndo, se conhecer nem sempre é "gostoso", mas se você busca ser uma pessoa mais consciente, terá que assumir primeiro as suas imperfeições(defeitos) para só assim ter a oportunidade de corrigi-los.
No livro, a autora Laura Gutman nos ajuda(principalmente as mães) a entender as muitas emoções que vem junto com a maternidade, e a superar as inseguranças, que podem causar danos à criação dos filhos. Os temas abordados analisam o lado da psique da mulher, a separação emocional e física entre a mulher e o bebê, a depressão pós-parto, os cuidados com o recém nascido, a sexualidade, a amamentação, as necessidades não correspondidas de mãe e filho, o papel do pai e as influências de uma realidade familiar instável na psique da criança.
Segue um trecho:

"A tendência de todos nós costuma ser rejeitar as partes de sombra que ecoam pelos desvãos da alma. Por algum motivo se chama "sombra". Não é fácil vê-la, nem reconhecê-la, tampouco aceitá-la, a menos que insista em refletir nos espelhos cristalinos e puros que são os corpos dos filhos pequenos.Concretamente, se um bebê chora muito, se não é possível acalmá-lo nem o amamentando nem ninando, enfim, depois de atender às suas necessidades básicas, a pergunta deveria ser: por que sua mãe chora tanto? (...) É nesse sentido que devemos dirigir nossa busca, na medida em que a mãe tenha a intenção genuína de encontrar a si mesma e se permita receber ajuda."

Não estou aqui querendo assustar ninguém, mas o livro é forte mesmo. Acreditem, quando comecei a ler, precisei várias vezes dar algumas pausas para "digerir" o que li. Meu primogênito ainda não nasceu, mas sou do tipo que prefiro saber da realidade "nua e crua" sobre o que está por vir, do que ficar acreditando na ilusão de que tudo será lindo e maravilhoso e depois receber um grande choque de realidade. 
Tenho conversado bastante com minhas amigas que recém se tornaram mães, com outras que já tem filhos a mais tempo, e todas são unanimes em dizer que o puerpério(período do pós parto, a hora do "vamos ver") é que é onde a realidade da maternidade realmente se manifesta, que os hormônios estão a mil, que as inseguranças aparecem, que temos um bebê frágil, indefeso, que precisa totalmente da mãe, e é quando achamos que não somos capazes, que não vamos dar conta, e também quando mais precisamos de apoio, carinho e paciência para reconhecer que somente nós mesmas é que sabemos o que "deve ser feito". 
"As mulheres puérperas tem a sensação de enlouquecer, de perder todos os espaços de identificação ou de referências conhecidos; os ruídos são imensos, a vontade de chorar é constante, tudo é incômodo, acreditam ter perdido a capacidade intelectual, racional. Não estão em condições de tomar decisões a respeito da vida doméstica. Vivem como se estivessem fora do mundo; vivem, exatamente, dentro do "mundo-bebê". E é indispensável que seja assim. A fusão emocional da mãe com o filho é o que garante que a mulher estará em condições emocionais de se desdobrar para que a cria sobreviva. (...) Em muitos casos são diagnosticadas "depressões pós-parto, quando a única coisa que acontece é um brutal encontro da mãe com a própria sombra." 

Por aqui, iniciarei amanhã meu recesso do trabalho(essa semana entro na 38° semana de gestação), e já me sinto "estranha" por saber que não irei trabalhar amanhã cedo. É uma mistura contraditória que passa pela minha cabeça: a vontade de seguir a vida "normal" de trabalhar fora, seguir a rotina, com a vontade de ficar em casa, descansar(principalmente a cabeça) e focar minha atenção no parto e no meu filho que está para nascer a qualquer momento(vou fazer parto normal). 

A leitura do livro "a maternidade e o encontro com a própria sombra" está me ajudando a clarear vários sentimentos que vão surgindo, inseguranças, dúvidas, preocupações e, por mais "chocante" que seja, me sinto bem mais tranquila em trazer a consciência esse turbilhão de emoções que já começam a se manifestar.
Fica a dica de leitura, espero que possam se beneficiar.

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